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Xbox Game Pass volta ao debate: ex-diretor de Forza Horizon 5 diz que faltou sustentabilidade
Em 2026, serviço teria 30 milhões, longe da meta de 77 milhões
- 22 de julho de 2026
- Atualizado: 22 de julho de 2026 às 18:28
O Xbox Game Pass, serviço de assinatura de jogos da Microsoft, voltou ao foco da discussão depois que Mike Brown, ex-diretor criativo de Forza Horizon 5 na Playground Games, resumiu o impasse de forma bem direta. Para ele, o serviço era uma “boa ideia”, mas batia num problema básico: muita gente gostava da proposta, só que pouca gente topava pagar um valor alto o bastante para sustentar o modelo de pé. A fala ganha ainda mais peso num momento sensível para a Microsoft. De acordo com relatos, em julho de 2026 o Xbox Game Pass estava na casa dos 30 milhões de assinantes, abaixo dos 34 milhões que a própria empresa havia registrado no início de 2024 e muito longe da meta interna de 77 milhões para 2026.
A crítica encosta numa preocupação antiga da indústria: talvez a conta da assinatura nunca feche do jeito que a Microsoft projetou. O Xbox Game Pass cresceu amparado por um discurso forte de valor para o consumidor, sobretudo pelo acesso a uma biblioteca extensa e por lançamentos de peso, mas transformar esse apelo em receita recorrente suficiente sempre foi o ponto difícil.
E isso teria ficado ainda mais claro depois das mudanças de preço. Segundo relatos, o reajuste de 50% no plano Game Pass Ultimate, em outubro de 2025, levou milhões de assinantes a cancelar o serviço. Alguns meses depois, em abril de 2026, a Microsoft recuou e cortou o preço outra vez, o que sugere que a sensibilidade da base ao valor cobrado era bem maior do que a empresa imaginava.
A distância entre o desempenho real e as projeções internas ajuda a entender por que o serviço deixou de ser apenas uma aposta estratégica e virou fonte de pressão dentro da divisão Xbox. Ficar ao redor de 30 milhões de assinantes quando a meta interna da Microsoft era 77 milhões não aponta só para uma desaceleração. Aponta também para uma mudança mais funda no ritmo de adoção.
Executivos da divisão Xbox da Microsoft já admitiram, em declarações públicas, que o Xbox Game Pass não cresceu no ritmo esperado e que, para uma parte do público, o serviço passou a custar caro demais. A resposta da empresa foi mexer na estratégia, criando novos níveis de preço e revendo benefícios. Uma das mudanças mais simbólicas está justamente no catálogo: futuros jogos de Call of Duty não devem mais chegar ao serviço no dia do lançamento.
As dúvidas em torno do Xbox Game Pass aparecem, ainda, em meio a uma reorganização mais ampla da operação Xbox. De acordo com relatos, a Microsoft planeja cortar cerca de 3.200 empregos até o ano fiscal de 2027 e também deve se desfazer de alguns estúdios. Nessas mesmas informações, o desempenho abaixo do esperado do serviço aparece citado como um dos fatores por trás desse momento turbulento.
Ao mesmo tempo, as críticas ao modelo não vêm só de fora. Alguns chefes de estúdios ligados à própria Xbox e ex-executivos da Microsoft já questionaram se o Xbox Game Pass acaba desvalorizando os jogos, especialmente quando os títulos entram no catálogo no mesmo dia em que são lançados. Um ex-chefe de estúdio chegou a definir essa lógica como uma “corrida para zero”, dizendo que a disponibilidade imediata pode enfraquecer a percepção de valor de um lançamento vendido a preço cheio.
Para os estúdios independentes, o quadro continua mais ambíguo. Há desenvolvedores que se beneficiaram dos pagamentos feitos pela Microsoft e do alcance extra que o Xbox Game Pass oferece, mas as reclamações sobre falta de transparência seguem aparecendo, principalmente sobre como a remuneração é calculada e sobre a divisão de receitas e lucros. A fala de Mike Brown, no fundo, bate exatamente nessa ferida que a indústria ainda não conseguiu fechar: agradar o consumidor é indispensável, só que isso sozinho não resolve nada se o preço que o público aceita pagar não for suficiente para manter a máquina girando.
Sou jornalista com mais de 30 anos de experiência em videogames e tecnologia. Embora meu foco sempre tenha sido os videogames, recentemente passei a gostar de explorar também os labirintos de ferramentas de gestão de projetos como o Asana e das automações com Make.com e N8N.
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