DeepSeek pode estar desenvolvendo chip próprio: menos dependência da Nvidia
Projeto seria focado em inferência, não no treinamento dos modelos

- 7 de julho de 2026
- Atualizado: 7 de julho de 2026 às 15:00

Uma reportagem da Reuters aponta que a startup chinesa DeepSeek pode estar preparando uma novidade bem relevante para a própria infraestrutura: a empresa estaria desenvolvendo um chip próprio para rodar seus modelos, em vez de continuar dependendo só de fornecedores externos, como a Nvidia. O projeto ainda parece estar no começo, mas já deixa clara, segundo a agência, uma ambição importante: diminuir a dependência de hardware estrangeiro e ter mais controle sobre a integração entre software e silício.
Pelo que a Reuters apurou, o plano da DeepSeek está voltado para inferência, que é a etapa em que um modelo já treinado passa a gerar respostas, imagens ou outros resultados para o usuário final. Em outras palavras, ao menos por enquanto, esse chip não estaria sendo pensado para o treinamento pesado dos modelos, que pede um volume muito maior de processamento.
Faz sentido do ponto de vista comercial. É a inferência que sustenta o uso diário de chatbots, assistentes e outros serviços generativos, e é justamente aí que as empresas costumam procurar ganhos reais de custo, eficiência energética e escala.
A Reuters também situa esse movimento num momento em que empresas chinesas seguem sob pressão por causa das restrições dos Estados Unidos à exportação de chips avançados. A DeepSeek já usou GPUs Nvidia H800, uma versão criada para o mercado chinês antes de também cair no alcance das regras mais duras impostas por Washington, de acordo com a reportagem.
Na prática, buscar alternativas próprias vira uma questão de estratégia, e não apenas de desempenho. Um chip interno pode dar mais previsibilidade no fornecimento e reduzir a exposição a mudanças geopolíticas repentinas.
Apesar do peso simbólico da notícia, não parece que o chip da DeepSeek esteja perto de chegar ao mercado. A Reuters diz que a empresa está conversando com firmas de design, fundições e fornecedores de memória, além de contratar de forma discreta engenheiros especializados em desenvolvimento de chips.
Isso passa a impressão de um trabalho ainda bastante inicial, de base mesmo, porque criar um processador competitivo costuma levar anos, exige investimento pesado e depende de uma cadeia de suprimentos complexa. Não por acaso, ainda segundo a Reuters, a iniciativa combina com um movimento mais amplo da companhia para reforçar o caixa: a DeepSeek estaria buscando algo em torno de 7 bilhões em captação, com uma avaliação acima de 50 bilhões.
E a DeepSeek não corre sozinha nessa disputa. A Reuters afirma que desenvolvedoras de modelos nos Estados Unidos e na China, além de gigantes como Alibaba e Baidu, vêm testando chips feitos sob medida para cortar custos e ajustar melhor cargas de trabalho específicas.
Só que o caminho está longe de ser fácil. Analistas ouvidos pela Reuters lembram que os controles de exportação também atingem o acesso à fabricação avançada e à memória de alta largura de banda, dois pontos centrais para qualquer acelerador moderno. Fora isso, a DeepSeek ainda teria de enfrentar rivais locais, como a linha Ascend, da Huawei, e lidar com diferenças de desempenho em relação a sistemas baseados na Nvidia.
Ainda não dá para tratar o recurso como confirmado até que a equipe da DeepSeek se pronuncie oficialmente, mas o projeto, pelo que a Reuters descreve, parece muito mais uma aposta estratégica de longo prazo do que uma resposta imediata. E você, arrisca algum palpite?
Jornalista especializado em tecnologia, entretenimento e videogames. Escrever sobre o que me apaixona (gadgets, jogos e filmes) me permite manter a sanidade e acordar com um sorriso no rosto quando o despertador toca. PS: isso não é verdade 100% do tempo.
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