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ChatGPT e outros chatbots já são usados pelo Boko Haram: estudo acende alerta

Pesquisa de Cambridge aponta uso em combate, segurança e planejamento

ChatGPT e outros chatbots já são usados pelo Boko Haram: estudo acende alerta

Chema Carvajal Sarabia

  • 11 de julho de 2026
  • Atualizado: 11 de julho de 2026 às 20:57
ChatGPT e outros chatbots já são usados pelo Boko Haram: estudo acende alerta

A Universidade de Cambridge acaba de mostrar, em um novo estudo, que grupos terroristas já recorrem a chatbots populares como apoio prático em operações cotidianas. O ponto mais grave, segundo a pesquisa, é outro: esse uso já passou da propaganda e da produção de conteúdo e entrou em áreas ligadas a combate, segurança e planejamento.

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Antonia Juelich, pesquisadora de Cambridge, afirma que membros das duas facções do Boko Haram relataram o uso de serviços como ChatGPT, Claude, Gemini, Grok, Meta AI e DeepSeek para resolver problemas operacionais e conseguir orientação rápida em campo. Para quem trabalha com contraterrorismo, isso muda o eixo da discussão sobre tecnologia e extremismo. Deixa de ser um debate abstrato e vira um problema urgente de segurança pública.

O estudo se apoia em 57 entrevistas com 27 ex-integrantes do Boko Haram, algo raro nesse tipo de investigação porque oferece uma base de evidência primária difícil de encontrar. Em vez de ficar restrita a postagens online ou material de propaganda, a pesquisa tenta reconstruir como essas ferramentas estariam entrando na rotina do grupo a partir do relato de pessoas que fizeram parte da organização.

Os achados indicam uso dos chatbots em planejamento operacional, correção de falhas em armamentos, práticas de segurança e outras demandas ligadas ao campo de batalha. Isso bate de frente com a percepção mais comum, aquela ideia de que grupos extremistas usariam esse tipo de tecnologia só para manipular imagem, se comunicar melhor ou atrair recrutas.

Há um trecho do estudo especialmente inquietante. Ele sugere que o Boko Haram não estaria apenas experimentando essas plataformas para ver até onde elas vão. A pesquisa indica que a organização teria montado unidades especializadas para treinar comandantes no uso dessas ferramentas e transformar respostas de chatbots em instruções aplicáveis no mundo real.

Em termos práticos, o que os pesquisadores descrevem é uma incorporação mais metódica da tecnologia como recurso de apoio operacional. Isso derruba parte da barreira técnica, porque os integrantes deixam de depender apenas de especialistas internos e passam a consultar sistemas já prontos, acessíveis e amplamente disponíveis. Pesquisadores e analistas dizem também que atores extremistas aprenderam a contornar filtros de segurança ao reformular pedidos como se fossem cenas fictícias, roteiros de cinema ou exercícios hipotéticos. E mais: cruzam respostas de plataformas diferentes para preencher as lacunas deixadas pelos bloqueios de cada uma.

Para os especialistas, esse padrão deixa claro que as proteções atuais ainda não dão conta quando usuários mal-intencionados testam vários caminhos até chegar ao que querem.

E o fenômeno não parece isolado. Reportagens relacionadas indicam que o Estado Islâmico, também conhecido como ISIS, compartilha desde 2023 materiais de treinamento sobre como driblar restrições de chatbots. Seus integrantes também teriam treinado comandantes do Boko Haram. Já o Hamas foi associado ao uso de ferramentas desse tipo na criação de imagens manipuladas e em campanhas de desinformação.

Casos recentes fora desses grupos aumentam ainda mais a preocupação. Reportagens sobre incidentes registrados em 2025 e 2026, entre eles um caso de bombardeio em Las Vegas e um esfaqueamento em uma escola na Finlândia, apontam possível uso de chatbots em etapas de planejamento ou pesquisa. Para Antonia Juelich, trata-se de uma ameaça presente e em crescimento. Há ainda um complicador óbvio: radicalização e apoio operacional agora podem ocorrer em conversas privadas, muito mais difíceis de monitorar do que fóruns públicos, redes sociais ou canais abertos de mensagem.

Chema Carvajal Sarabia

Jornalista especializado em tecnologia, entretenimento e videogames. Escrever sobre o que me apaixona (gadgets, jogos e filmes) me permite manter a sanidade e acordar com um sorriso no rosto quando o despertador toca. PS: isso não é verdade 100% do tempo.

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