Notícias
A24 volta atrás nos strikes de The Backrooms: estúdio diz que foi erro
Avisos automáticos atingiram criadores antigos por falha terceirizada

- 18 de julho de 2026
- Atualizado: 18 de julho de 2026 às 22:40

A A24 recuou nas alegações de copyright feitas contra conteúdos ligados a The Backrooms, o fenômeno de terror colaborativo que nasceu na internet, depois que notificações automáticas passaram a atingir criadores independentes que já publicavam sobre o tema antes mesmo de existir uma adaptação para o cinema.
A confusão começou quando esses avisos automáticos acertaram justamente gente que falava de The Backrooms desde muito antes do filme sair do papel. A situação só não cresceu mais porque Kane Parsons, criador da versão mais conhecida da série no YouTube e parceiro do longa, apareceu em público para dizer que aqueles strikes “não deveriam estar acontecendo” e que iria apurar o caso.
Depois da repercussão ruim, a A24 retirou as reivindicações e disse que tudo aconteceu por causa de uma falha em um sistema terceirizado de enforcement usado em ações antipirataria, segundo o próprio estúdio. A empresa também afirmou que não reivindica propriedade sobre a imagem famosa do corredor com papel de parede amarelo, nem sobre o post original que deu início ao fenômeno, nem sobre as obras criadas pela comunidade em geral, nas palavras da própria A24.
Essa resposta era decisiva porque The Backrooms surgiu como uma criação coletiva da internet. Qualquer movimento que fizesse uma empresa parecer “dona” da ideia bateria de frente, cedo ou tarde, com a base de fãs que ajudou a erguer esse universo ao longo dos anos.
O episódio também escancarou uma distinção básica do direito autoral: a ideia geral de The Backrooms não é algo que uma pessoa ou empresa possa proteger sozinha. O conceito saiu de um post anônimo publicado no 4chan, em 2019, com a imagem de um espaço estranho, vazio e amarelado, parecido com um escritório antigo.
Dali em diante, centenas de criadores passaram a expandir a premissa com monstros, mapas, níveis e histórias próprias. O que pode ser protegido, no entanto, são expressões específicas dessa mesma ideia.
E foi aí que Kane Parsons ganhou peso. Os vídeos dele no YouTube deram a The Backrooms uma identidade visual e narrativa bem mais definida, com estética de found footage, linguagem cinematográfica e um lore próprio. Foi essa versão específica, e não o conceito amplo que nasceu na internet, que a A24 levou para o cinema.
A intervenção de Kane Parsons teve peso não só para os criadores afetados, mas também para o futuro da marca. Se os strikes continuassem, a leitura de que a adaptação de um fenômeno colaborativo estava sendo usada para calar a própria comunidade poderia desgastar tanto a reputação do filme quanto a relação entre Kane Parsons e a A24.
No fim das contas, o caso virou um exemplo bem claro de uma tensão cada vez mais comum na economia dos criadores: o choque entre a cultura aberta da internet e a lógica mais agressiva de proteção de propriedade intelectual que grandes empresas costumam adotar quando um fenômeno online vira produto comercial. A discussão ficou ainda mais pesada porque The Backrooms deixou de ser um projeto de nicho. Produzido por menos de 10 milhões, o filme arrecadou mais de 382 milhões no mundo e virou a maior bilheteria da história da A24, segundo o estúdio.
Com tanto dinheiro e tanta atenção em jogo, a forma como a A24 trata a comunidade que ajudou a transformar The Backrooms em fenômeno passou a ser observada de perto. O recuo evitou uma briga maior, mas o aviso ficou: adaptar cultura de internet exige mais do que comprar os direitos de uma versão bem-sucedida dela.
Martin Hernandez é um jogador entusiasmado que escreve análises de videogames e software.
Os mais recentes de Martin Francis Hernandez
Também pode te interessar
NotíciasX abre seu código-fonte: assim podemos descobrir se nossa conta está penalizada
Leia mais
NotíciasA segunda temporada de Heated Rivalry já tem elenco e é espetacular
Leia mais
NotíciasTodos a dávamos por enterrada, mas 20 anos depois volta a primeira rede social da história
Leia mais
NotíciasDisney confirma que Kingdom Hearts gerou mais de um bilhão em lucros
Leia mais
NotíciasNetflix fecha seu maior estúdio de videogames, mas diz que não vai deixar de produzir videogames no futuro
Leia mais
NotíciasJá sabemos os primeiros detalhes sobre o novo filme do diretor de Your Name
Leia mais